ESCOLA TÉCNICA DE COMÉRCIO SUMARÉ
(Segunda parte)
A Escola Municipal “Dr. Leandro Franceschini” está comemorando 60 anos de existência neste ano de 2021. A data servirá de suporte para as solenidades programadas pela Associação Pró-Memória de Sumaré, no Dia da Memória e no seu Fórum de História. Oficialmente, a Escola surgiu através de uma Lei Municipal, de iniciativa do então vereador João Rubens Gigo e promulgada pelo Prefeito Leandro Franceschini. Na lei, a Escola chamava-se Colégio Comercial de Sumaré. Pouca gente sabe, no entanto, que antes da existência oficial, já existia uma pequena unidade de ensino funcionando informalmente na cidade, denominada “ESCOLA TÉCNICA DE COMÉRCIO DE SUMARÉ”, por iniciativa de quatro jovens: Orlando Fabbri, Paulo Ghirardello, Wilson Antônio Fávero e Antônio Basso Sobrinho (Bassinho). Os quatro eram jovens recém-formados em Contabilidade, em escolas de Americana e Campinas. Orlando acabaria por se tornar um Administrador de Empresas; Paulo foi Chefe do Setor de Compras da Prefeitura Municipal; Wilson acabaria como Gerente do Bradesco e Bassinho Gerente do Banco Itaú.
A pedido da Associação Pró-Memória Orlando redigiu o texto abaixo, contando detalhes do sonho desses jovens, que acabaria se tornando realidade.
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Os “quatro mosqueteiros” (Paulo, Orlando, Bassinho e Wilson), na época todos habilitados para o magistério das disciplinas técnicas, procuraram o sr. Armínio Chinelato, da Escola Técnica de Comércio Dom Pedro II de Americana, que se dispôs a ajudá-los na documentação para a criação da escola junto ao Ministério da Educação.
Concomitantemente fomos procurar o Diretor do Grupo Escolar, que funcionava na Praça da República, para a utilização daquele prédio, lembrando que o imóvel estava em uso pelo Governo do Estado.
O Diretor gostou da ideia, e após consulta a seus superiores disse que não se oporia à cessão do prédio para o período noturno, desde que o funcionamento da escola não atrapalhasse as aulas durante o dia, com o compromisso de cuidados com a limpeza, conservação e segurança. Deu autorização por escrito.
As notícias da aprovação do projeto pelo Ministério da Educação eram animadoras, visto que havia pedido uma complementação da documentação, com ênfase nos detalhes do imóvel a ser utilizado pela futura escola. Diante dessa exigência, procurei Afonso Fromberg, conhecido como “Fotógrafo Alemãozinho”, para que fotografasse o prédio da Praça da República. Fotografou-o totalmente, em especial as salas de aula, corredores, banheiros, pátio, fachada, áreas externas, etc., que foram devidamente encaminhadas.
A escola era o assunto da cidade naqueles dias, que chegou ao conhecimento do Padre José Giordano, pároco da Igreja Matriz de Sant´Ana, que também achou a ideia muito boa, “uma ideia maravilhosa”, que resultou no oferecimento das dependências da Igreja – a Sacristia – para agilizar a implantação do Cursinho de Admissão. A novidade espalhou-se pela cidade. Inúmeros pais nos procuravam, solicitando vagas para os filhos.
Levando em conta de que tudo estava bem encaminhado, com grande número de alunos interessados, foi dado início ao Curso de Admissão. As aulas eram ministradas na sacristia da Igreja, tendo como professores voluntários o nosso grupo: Paulo, Wilson e Bassinho; eu fiquei como administrador.
Nenhuma remuneração era paga aos colaboradores, já que a ideia seria uma escola gratuita e seus idealizadores não visavam ganhos financeiros com a escola. Como já foi dito, pensavam em ajudar os muitos amigos que possuíam, que não tinham meios de estudar fora da cidade, sujeitando-se a viagens diárias, cansativas, além dos custos das mensalidades cobradas pelas escolas, todas particulares. Seria uma contribuição para a sociedade.
A montagem das instalações fora adquirida com os poucos recursos que tínhamos: material escolar, mobiliário, quadro negro, etc.
Tudo caminhava bem: o cursinho estava funcionando com muitos alunos. O prédio do Estado com sinal positivo, a documentação do registro muito bem encaminhada. A população estava animada e ansiosa, aguardando o início das atividades.
Inexplicavelmente o Ministério da Educação, que inicialmente estava agilizando o processo, animando os idealizadores, mudou. O processo foi paralisado. A análise do pedido foi sendo retardada; a expedição do registro e da licença de funcionamento não aconteceu. Sem o registro e sem a licença de funcionamento, não pudemos dar continuidade à instalação da Escola Técnica de Comércio Sumaré.
Pouco tempo depois a Prefeitura Municipal de Sumaré, no governo do Dr. Leandro Franceschini, decidiu criar o Colégio Comercial de Sumaré, fazendo com que o nosso projeto fosse abandonado. De uma forma ou de outra a cidade acabou ganhando uma escola noturna, de nível médio profissionalizante, que era o objetivo principal. Essa escola veio a se tornar uma das melhores do Estado de São Paulo
Orlando Fabbri
Aposentado, sócio e colaborador da Associação Pró-Memória.
Publicado pelo Jornal Tribuna Liberal de 31/10/2021




